Enquanto descia do ônibus, em mais um dia de horas lotadas, pensava na avenida cheia de trânsito em hora de pico. Perguntava-se ele sobre o quanto de tempo levaria para chegar até sua sala confortável e de cadeira macia.
Era advogado novato, recém feito o seu Direito, causas criminais, mas para bons elementos, inocentes de verdade, defendia a moralidade e os bons princípios, sempre aos justos.
Neste dia de calos temporais, ele chegava com cinco minutos de atraso, explicou-se para a exageradamente simpática secretária, na qual o recebe fielmente, tendo em vista o fim do mês, com o mesmo sorriso simplesmente bem pago.
Vagava ele agora entre papeis e em códigos penais, no caso de um pobre senhor, que jamais roubará uma fruta da vizinha, mas que já observou semi-nua na casa ao lado.
No relógio marcavam 9:00 horas da manhã, uma terça-feira quente e úmida, o ônibus e a avenida eram dois carrascos de todos os dias. Os papeis, os códigos, todos os dias os inocentes e os semi-culpados, a honra, o canudo da faculdade, a sua ex-esposa, o filho que não tem, o sorriso que não abre, a televisão e o futebol que não gosta, nem o sábado, no domingo ele morre, e vem a segunda, mas nunca para, nunca descança…
Ele ainda estava de paletó, preto de bela gravata acizentada, abriu a janela chorando feito criança sem culpa, escancarando a melancolia de ter feito a escolha errada.
Deus, quem disse que defender era ter de privar?
Do oitavo andar do prédio Rui Miranda Borba, gritou, continuamente até calar-se sem fôlego. Meeeeeeeeeerda.
E caiu.
Vários Contos de Réis
-
Mais Pecados
- Nenhuma
-
Somos
- 225 pecadores
Gregório Ano
Um Comentário
tem paixão por quedas, hein?