Mas se chovesse naquela manhã tardia, o rapaz que chorava aos berros não iria ser visitado pelo seu médico. Febre, vômito, sangue. Com seus onze anos, pegara o habito cruel e complacente de comer um porco com duas vontades, agora, quase no fim de sua rapacidade, sofre de uma fria e calórica indigestão ácida.
A mãe desesperada enxuga com pano frio a testa fervorosa, reza e não esfria.
Agora. Chove.
Madrugada. O silêncio do campo zomba da estúpida agonia materna. Silenciosa como uma morta, balbucia ela a ternura da misericórdia.
Fizera uma boa buchada gordurosa, suculenta e forte.
Muito deslumbrada com o amanhecer nublado, a febre diminui, ele calmo dorme na dura cama de palha seca. Vai ela dormir, depois de tanta febre, o guri está quieto, nem se mexe.
Agora. Dorme.
Dez horas desta manhã renovadora e a febre que baixou tanto agora é gelada como a própria madrugada.
Ela, a mãe, nem viu, aquele silêncio do interior, era de tão vazio que o filho indigesto estava, sem alma, recheado, parecido com um porco guloso.
A febre baixou, o filho desceu.
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Gregório Ano
2 Comentários
Ele virou porco, como o gregor (é isso?), que vira barata, não sei se entendi. não sei nem se é preciso. Prosas poéticas são sempre boas de se ler, legal.
gostei do “leiauti” do blog.
de casa nova, é?